DIA 16 DE NOVEMBRO ESTIVERAM PRESENTES NA CÂMARA DOS VEREADORES DA CIDADE DE SÃO PAULO MAIS DE OITENTA PROFSSIONAIS DA DANÇA EXIGINDO A AMPLIAÇÃO DE RECURSOS PARA O PROGRAMA DE FOMENTO À DANÇA, TRANSPARÊNCIA NA UTILIZAÇÃO DE RECURSOS E AMPLIAÇÃO DOS PROGRAMAS DE DANÇA A FIM DE ATENDER A DEMANDA EXISTENTE NA CIDADE.
MOMENTO DE FESTEJAR MAIS UMA VEZ A MOBILIZAÇÃO DA DANÇA PAULISTANA !
MOMENTO TAMBÉM DE ESTARMOS ATENTOS !
ESTAMOS EM FASE DE VOTAÇÃO DO ORÇAMENTO PARA 2012. O MOMENTO É ESSE. A HORA É AGORA ! NOVAS MOBILIZAÇÕES VEM PELA FRENTE ! PARTICIPE !

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01 novembro 2010

ACABA DE SER PUBLICADO NOVO EDITAL DE FOMENTO À DANÇA...

...que contemplará apenas projetos desfomentados. As inscrições estão abertas a partir desta publicação e se prorrogará por tempo indeterminado, ou enquanto houver artistas indignados com a precariedade das nossas relações. Não falo apenas das relações que estabelecemos com a instituição pública ou privada, mas também e principalmente das relações que estabelecemos entre nós, artistas e fazedores culturais em todas as instâncias. O aporte financeiro destinado à cada projeto inscrito neste edital será definido pelo próprio proponente, que poderá ser: artista, empresa, núcleos, companhias, seu João e Dona Maria. A comissão de avaliação será formada pelo proprio proponente e os integrantes de seus núcleos. Cada proponente avalia seu próprio projeto e faz o que bem entender, pois afinal de contas o artista é livre. Percebeu-se que não há mais artistas interessados em fazer parte de comissão alguma. Os poucos que restaram foram jogados na fogueira da Inquisição. Antes foram açoitados. O tempo para realização e conclusão do projeto também será definido pelo proponente, podendo ser um projeto que dure segundos, minutos, horas, ou no máximo a eternidade. O resultado de cada projeto poderá ser um espetáculo, uma intervenção cênica, um debate, uma palestra, uma oficina, uma equação de segundo grau, uma inequação, uma experiência química, uma defesa de doutorado, a compra de um carro zero, a reforma da casa ou uma viagem à Paris, Amsterdã, África do Sul, ou Zona Leste de São Paulo mesmo. Importante destacar a obrigatoriedade da contrapartida: todos os projetos deverão propor ações que façam com que a sociedade em geral se identifique de alguma forma com o que está sendo proposto, apresentado, desenvolvido, e que a arte passe a ser um elemento imprescindível na vida de todos. Não há necessidade de elaborar e formatar projetos para esse edital. Muito menos se preocupar com impressões, cópias, encadernações, etc, etc, etc. Nem correr pra entregar tudo apenas no último dia, uma vez que não existe o último dia. Não serão aceitos projetos que resolvam acontecer apenas nos cérebros de quem o idealizou.  Porém, de algum modo, o projeto precisa ser compartilhado, nem que seja com as baratas e os ratos que impesteiam a cidade de São Paulo. Caso alguém queira divulgar seu projeto nesse blog e já  abrir uma discussão sobre os seus objetivos, justificativas, cronograma, abrangência, orçamento, público alvo, referências teóricas, poéticas, conceituais, semióticas e semi-óticas, fique à vontade. Assim a gente facilita o trabalho de alguma instituição para que ela se aproprie da idéia e implemente o projeto, mesmo que distorcendo as premissas básicas. E por fim, não haverá a necessidade de prestação de contas, uma vez que já estaremos prestando contas com a nossa própria consciência até nos darmos conta que o problema não são os editais, e sim a nossa arrogância e prepotência que nos colocam acima do bem e do mal e nos faz acreditar que apenas o meu projeto, meu espetáculo, meu núcleo,  possa merecer algum tipo de subvenção pública.
Boa sorte à todos.
Abraço
Solange

11 comentários:

  1. só faltou colocar o link fiquei curioso pra ver esse edital. Sol é brincadeira isso??? ficção ou verdade???

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  2. Val...digamos que seja um pouco de cada coisa: brincadeira, ficção e verdade + uma boa pitada de ironia.
    Na verdade, trata-se de uma provocação.
    Um outro modo de propor que a categoria dança se olhe um pouco mais, se dispa de hipocresias, e, principalmente respeite-se.
    Já chegam as instituições públicas e privadas que nos desrespeitam à cada instante e desqualificam nossos trabalhos.
    Embora, para outros estados as coisas em São Paulo pareçam andar as mil maravilhas, a nossa realidade é um tanto quanto mascarada.
    Talvez vc ainda não compreenda porque vive outras situações bem mais relevantes na tua região, como por exemplo a falta de políticas públicas, de articulação e de mobilização política da dança.
    Entende agora toda aquela discussão na Conferência Nacional de Cultura, onde todos os estados (exceto SP e RJ) reinvindicavam políticas públicas mais consistentes e consideravam o eixo Rio-São Paulo muito bem provido de políticas, oportunidades, subvenções ?
    Então...na verdade aqui, não é nada diferente daí.
    Matamos tb um leão a cada dia.
    Aqui, ao mesmo tempo que avançamos, retrocedemos...estranho isso, não ?
    Grande abraço e continue participando.
    Solange

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  3. Muito bom. Eu e muita gente desistimos da dança por causa mesmo desta mesquinharia "umbigal" da classe. Lamentável este ocorrido. Lamentável como o povo da dança chegou ao século XXI, lamentável... Lamento ver a dança acabando não por causa de comissões, mas por causa de péssimos artistas como estes, que não tem a menor idéia do que é "política".

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  4. Bem Sr. Anônimo...se desistiu é pq não era da dança, ou pensava que era, mas de fato não era, ou talvez fosse, mas não desejava ser...ah ! sei lá !
    Ainda bem que desistiram...alguns concorrente a menos, então !
    E tem outra, a dança não vai acabar por causa das comissões ou de péssimos artistas.
    A dança não acaba.
    A arte não acaba.
    Nem a mesquinharia.
    O que talvez pode acabar é a nossa paciência.
    Na verdade tem é que ter muito estômago pra aguentar essas e outras coisas que me parecem piores.
    E ainda reforço: não são os artistas nossos inimigos. Nossos inimigos estão aí, na nossa cara apontando armas na nossa testa o tempo todo.
    Não é o poder público ou poder privado ou seja lá qual poder. São as pessoas que estão por trás desse poder. São essas pessoas que sem esse poder não seriam absolutamente nada em lugar nenhum.
    São as pessoas que agora estão rindo da nossa cara dizendo ou pensando: "...olha lá esses artistinhas de m..., pensando que são os donos da verdade, que mobilizam , que fazem e acontecem ! Coitados...mal sabem eles que serão os próximos da vez...'SOLDADOS: PRENDAM ESSE ARTISTA INFAME PARA QUE ELE NUNCA MAIS ABRA A BOCA E PRONUNCIE QUALQUER DISCURSO CONTRA O SISTEMA ESTABELECIDO ! E AVISE OS DEMAIS PRA CALAREM A BOCA TAMBÉM, PORQUE SENÃO FICARÃO À MINGUA E NUNCA MAIS DIVULGARÃO SEUS ESPETÁCULOS NOS MEUS TEATROS ! EDITAIS ENTÃO...NUNCA MAIS ! AVISE-OS !'

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  5. Recomendo "Mephisto" de István Szabó para entender a prisão de artista.

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  6. Victor, assisti a esse filme e gostei muito, inclusive por tocar no cerne da questão de um artista despolitizado e alienado, cuja ascensão se deu pelo nazismo, como um bom exemplo A NÃO SER SEGUIDO.
    Acredito que personagens como este não nos faltam neste país.
    Mas lhe garanto, há uma boa parcela de artistas que não se alienam às questões políticas e se inserem como atores desta participação e desta construção.
    Não à toa estamos aqui debatendo, discutindo, ponderando opiniões a respeito.

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  7. Olá,

    Honestamente nunca me senti tão contemplada em ler uma postagem quanto esta última do “novo edital (...)” .

    Acho que tocou-se numa série de questões importantíssimas, que vão
    desde a dificuldade em analisar claramente a situação, até levantar questionamentos para que possamos reconhecer nossas limitações enquanto grupo pensante/agente/(etc) da dança.
    Apontou-se o fato de estarmos imersos nessa bagunça de “egos” que autorizam a desreponsabilização da arte -ignorando a necessidade de comunicar-, a despolitização desta, etc ...

    Penso que estes questionamentos auxiliam na reflexão sobre nossas ações políticas (tenham sido estas de mobilização e articulação contra as medidas tomadas por estes governos, ou de simples acomodação em nossos “nichos criativos”).

    De qualquer forma acho que agora cabe uma provocação (que, espero, seja compreendida como forma de “vamos pensar juntos?!”):

    Tenho acompanhado as últimas postagens, comentários, etc, e a todo tempo, enquanto os leio fica no fundo da minha cabeça uma vozinha me perguntando: quê que esse povo entende por arte, por mercado, por sociedade, por dança?
    Mariana Molinos

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  8. Mariana, esse blog foi criado para estimular essa discussão, dentre tantas outras que possam surgir a partir das postagens. Partiu tb da idéia de realizar um seminário onde pudéssemos vislumbrar outras possibilidades de sobrevivência da dança, além dessas que nos acostumamos nos últimos anos, os editais públicos...um termômetro, entende ? Mas a gente ainda precisa amadurecer muito, mas muito mesmo enquanto coletivo. Uma briga que me parece polarizada: contra nós mesmos e contra as instituições públicas seja na esfera municipal, estadual ou federal, poderia ser/estar mais qualificada. Nos perdemos ainda em discursos que desqualificam outros sobreviventes da dança, sem perceveber que estamos desqualificando a nós próprios. Ainda não sei bem qual o rumo desta história e nem o q. vamos encontrar lá na frente. Mas vejo sim, alguns saindo dos seus nichos e querendo saber e entender melhor o que cada um pensa. São artistas que em outros momentos jamais estabeleceriam qq tipo de relação ou diálogo, mas hoje vislumbram uma causa comum. Saiba, Mariana, que abomino radicalmente qq tipo de manifestação que desqualifique nossos parceiros que se encontram no mesmo dilema que todos nós. Desqualificar o outro sem entendê-lo e sem perceber tb suas/nossas limitações é o que pode haver de mais destrutivo nas nossas relações. E acredito que o Sistema no qual estamos submersos, se diverte com tudo isso. Observam e se divertem ! No fundo somos todos miseráveis. Miseráveis, ingênuos e míopes ! O que esse "povo" (eu, vc e todos nós) entendemos por arte, mercado, sociedade e dança já está impresso neste blog de alguma forma por poucos que ousaram se manifestar, poucos mesmo (confesso que esperava uma participação maior). Disso tudo fica a certeza de que ou não temos o que falar, ou não sabemos o que falar, ou o que me parece pior: NÃO PODEMOS FALAR. Solange

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  9. O alienado é sempre o outro, né!?

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  10. Sim, o alienado é sempre o outro...o outro que reflete a mim.

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